2023 11 28 abertura 17 Semana Afro brasileira 6871Encontro prevê mesas redondas e palestras com especialistas em consciência negra; objetivo é debater igualdade racial

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Para celebrar o mês da Consciência Negra, o Núcleo de Estudos Interdisciplinares Afro-brasileiro (Neiab) da Universidade Estadual de Maringá (UEM) abriu oficialmente na noite de ontem (28) a 17ª Semana Afro-brasileira. O evento prossegue até quinta-feira (30), no Bloco H12, sala 14, no câmpus sede.

Este ano, o tema do evento é “20 anos da Lei 10.639/2003: estratégias para uma educação antirracista”. Segundo a coordenadora do Neiab/UEM e professora de Ciências Sociais da UEM, Marivânia Conceição Araújo, apesar de duas décadas da implantação da lei que  tornou obrigatório o ensino da "História e Cultura Afro-Brasileira" nas escolas públicas e particulares de ensino fundamental e médio, a maioria das unidades de ensino no País ainda não são espaços amplamente receptivos para crianças negras. 

A vice-reitora, Gisele Mendes, participou da cerimônia de abertura, e manifestou a importância desta lei (10.639) progressista e antirracista, pois valoriza e reconhece as contribuições culturais, sociais e econômicas dos afrodescendentes na história do País. Ela também enalteceu o último avanço na legislação que passou a punir severamente as pessoas que praticam injúria racial. 

“Todos os temas que vão ser discutidos nesses três dias de evento, inclusive na abertura de ontem, são sobre educação antirracista, ferramenta fundamental para alcançarmos a igualdade racial. No artigo 5º da Constituição, o racismo é crime imprescritível e inafiançável, mas por muitos anos a injúria racial, que são os xingamentos que vemos, com frequência, no esporte e nos noticiários ficou fora da lei antirracista, 7.716 de 1989. Somente este ano, o presidente da República fez a lei 14.532, de 2023, que tipifica a injúria racial como crime imprescritível e inafiançável. Racismo é algo inaceitável, que não podemos tolerar”, frisou Mendes.

A palestra de abertura do evento foi ministrada pela professora doutora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Alessandra Pio Silva. A pedagoga e especialista em ensino fundamental apontou os gargalos do setor no tocante às relações raciais e a importância de ampliar o letramento racial da comunidade pedagógica a fim de que os integrantes dela estejam aptos a reconhecer, criticar e combater atitudes racistas em seu cotidiano. 

Para a coordenadora do Neiab, até hoje, apesar da legislação punitiva para atos discriminatórios, a maioria do corpo docente das escolas não está preparada para situações de preconceito racial. “Muitos até compactuam com o racismo, não acolhem, nem valorizam os alunos negros”, lamenta Araújo. Ela entende que o avanço para que a sociedade brasileira chegue à igualdade racial está atrelado a pelo menos três fatores: educação, trabalho e punição.

Araújo acredita que as atividades antirracistas devem ser uma constante o ano todo nas escolas de todos os níveis e não somente no mês de novembro, em virtude do Dia da Consciência Negra, comemorado no dia 20 de novembro.

SERVIÇO

XVII Semana Afro-brasileira

Quando: até 30 de Novembro

Onde: UEM - Bloco H12 Sala 14

Programação 

29 de Novembro

9h 

- Mesa redonda: Educação antirracista e a cultura

  Participantes: Diego Cartano, Lissandra da Silva e Victor Simião

  Mediação: Andrey Cruz

19h 

- Mesa redonda: Educação antirracista e as religiões de matriz africana

  Participantes: Eronildo Silva e Gislaine Gonçalves

  Mediação: Bruno Barra

 

30 de Novembro 

9h

- Mesa redonda: Educação antirracista e a ERER no ensijno superior

  Participantes:  Alessandra Medina, Josiane Gouveia e Marinalva Maximo

  Mediação: Ana Paula Herrera

19h

- Mesa redonda: Educação Antirracista e a efetivação da Lei 10.639/2003 na universidade

Participantes:  Josiane Oliveira, Marivânia Araújo e Loide Nascimento

Mediação: Eliane Oliveira