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Rajagopalan pede diálogo aberto entre linguistas e público leigo (Crédito: Antoninho Perri/Unicamp)

Daqui a duas semanas haverá o 34º Enanpoll, o Encontro Nacional da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Letras e Linguística (Anpoll). Pela primeira vez no Paraná, será sediado de 26 a 28 de junho na Universidade Estadual de Maringá (UEM). Nesta reportagem, a Assessoria de Comunicação Social da UEM entrevista alguns dos vários profissionais renomados internacionalmente que estarão neste megaevento. Todos são pesquisadores de excelência, autores de inúmeros livros e artigos científicos de alto impacto.

De acordo com a Anpoll, o Enanpoll é um momento de discussão de “questões relacionadas tanto no âmbito acadêmico de pesquisa como no que se refere às políticas governamentais”, além de produzir, divulgar conhecimento científico e “proporcionar interação e intercâmbio entre grupos de trabalho e pesquisadores”. Organizado em parceria com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), é composto por mesas-redondas, reuniões e oficinas.

Em 2019, o Enanpoll foca em Políticas e Práticas de Viabilização do Trabalho de Pós-Graduação em Linguística e Literatura. “Teremos falas do coordenador-adjunto da Capes [José Sueli de Magalhães, coordenador-adjunto de Programas Acadêmicos de Linguística e Literatura e professor na Universidade Federal de Uberlândia], de representantes junto ao CNPq e de professores convidados para discutir internacionalização, saúde na pós-graduação e visibilidade na área de Letras”, destaca o presidente da Anpoll, Frederico Augusto Garcia Fernandes, também doutor em Letras, docente na Universidade Estadual de Londrina (UEL) e coordenador do Portal de Poéticas Orais.

 

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Presidente da Anpoll, Frederico Fernandes destaca que Enanpoll ocorre pela 1ª vez no PR

 

Zilá Bernd, doutora em Letras, irá compor uma mesa-redonda sobre a situação atual da Educação. Ela também é professora aposentada da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), docente do Programa de Pós-Graduação da Universidade LaSalle, membro do Comitê Assessor de Letras do CNPq e pesquisadora 1B do CNPq. “Há um corte drástico de 41% das verbas do Ministério da Ciência e Tecnologia. É devastador, porque já vínhamos sofrendo cortes também ao longo do governo anterior”. Em face disso, vêm sendo diminuídos a concessão de bolsas de mestrado e doutorado e o apoio a eventos. “Professores, pesquisadores e alunos vão sentir na carne agora, vai ter impacto muito grande no nosso modo de trabalhar”, lamenta Bernd, que faz um discurso de enfrentamento. “Devemos mostrar mais nosso trabalho, usar nossa habilidade de escrever e argumentar para mostrar que essas políticas têm que ser modificadas. Não se pode, de uma hora para a outra, cortar os financiamentos”.

 

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“Devemos mostrar que essas políticas têm que ser modificadas”, diz Dra. Zilá Bernd sobre situação da Educação

 

Outro nome no 34º Enanpoll é do professor Mário Cézar Silva Leite, doutor em Comunicação e Semiótica, presidente do Fórum das Ciências Humanas, Sociais, Sociais Aplicadas, Letras e Artes, coordenador da linha de pesquisa em Poéticas Contemporâneas do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Cultura Contemporânea da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e membro do Conselho de Estudos Literários da Anpoll. Para ele, a pós-graduação brasileira, independentemente da área, precisa estar unida. “Estamos sofrendo golpes de foice um atrás do outro, é uma grande ameaça para a Educação brasileira. E as reuniões da Anpoll sempre foram muito importantes exatamente por isso, porque reúnem a pós-graduação da área e discutem problemas e como as questões estão se configurando”, como financiamentos e outras temáticas.

 

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“Estamos sofrendo golpes de foice um atrás do outro, é uma grande ameaça para a Educação brasileira”, expõe Mário Leite, da UFMT

 

Ao encontro da declaração de Leite, Fernandes aponta que historicamente a área de Humanas tem sido negligenciada, o que “não é positivo” para reflexões sobre as práticas profissionais e para o equilíbrio social. “A técnica produzida na Academia, sobretudo pelas outras ciências, gera produtos de bens econômicos e de consumo. Então, é natural que acabem tendo uma visibilidade bem maior. Mas, sem a reflexão e o pensamento crítico das Humanas, as outras não teriam produção capaz de melhorar a qualidade de vida da sociedade como um todo”.

O indiano Kanavillil Rajagopalan também estará no 34º Enanpoll, com o propósito de mostrar que os linguistas precisam repensar seus discursos e dialogar com o público leigo. “De que forma nós, linguistas, podemos ter impacto na atual conjuntura geopolítica no mundo inteiro e, em particular, no Brasil? Há uma desconfiança geral, tanto por parte das autoridades como do público. Precisamos, mais do que nunca, interferir para mostrar que temos o que contribuir com a sociedade”, reflete ele, professor aposentado na área de Semântica e Pragmática das Línguas Naturais na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), doutor em Linguística Aplicada, pesquisador 1A do CNPq e um dos editores da Revista de Documentação de Estudos em Linguística Teórica e Aplicada (Delta).

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